ESTUDO 1 - O QUE É MEDIUNIDADE

 

ESTUDO 1: O QUE É MEDIUNIDADE

 

      Segundo Jamil Rachid, o termo mediunidade, consiste “em ajudar a manifestação de faculdade psíquica, auxiliar sua expansão, orientá-la, educá-las, envolvendo assim, providência de natureza intelectual, moral e técnica” (1). Desta forma, percebemos que a mediunidade não consiste apenas na manifestação de um espírito por intermédio de uma pessoa. Antes, é uma prática que exige do médium com pena de ser interrompida:

- instrução de forma á ser uma presença capacitada e não um agente inculto, que age por fé cega e fanática (2). Isto é, o médium tem por obrigação se instruir, aprender o que, como e de que forma deve ocorrer esta relação médium e espírito, a fim de poder ser um instrumento útil para a manifestação espiritual. Se o médium não se instrui, acaba sendo apenas um fantoche, um aparelho defeituoso, que age mais por instinto e ação própria, não servindo realmente como intermediário dos guias e orixás;

- formação moral, a fim de estar em plena harmonia com as esferas superiores. O médium pode ser entendido como um rádio, cuja frequência sintoniza campos vibratórios, que conforme sua moral, pode ou não ser de esferas superiores;

- caráter técnico: consiste na capacitação, no treinamento das habilidades mediúnicas, de forma que o médium torne-se um instrumento útil, possuindo autocontrole em todas as circunstâncias. É comum observarmos “incorporações”, onde situações hilárias ocorrem. Médiuns agindo de forma até mesmo cômica, queimando-se com velas, caindo, se debatendo, se ferindo, falando verdadeiros absurdos. Muitas vezes, isto resulta da falta de adestramento do médium, responsabilidade crucial do zelador de santo da casa deste médium. Mais comum ainda, é encontrarmos “guias” dando consultas e falando nada com nada. Isto é resultado ou de uma falta de conhecimento do médium que até mesmo acredita estar incorporando uma entidade, ou mesmo, da ação espiritual de um espírito brincalhão (também chamado de zombeteiro), que se diverte à custa da ingenuidade de seu aparelho.

          Infelizmente, seja por vaidade, ignorância ou mesmo pela própria condição humilde espiritualmente falando, percebemos que em muitos médiuns, tais características ainda estão totalmente presentes, o que prejudica a manifestação espiritual, levando a mistificação e com o passar do tempo à suspensão das faculdades mediúnicas. Isto porque, não sendo um instrumento útil para a prática da caridade e espiritualidade, provoca o afastamento dos espíritos das esferas elevadas, denominados de “guias ou orixás”.

          Situação ainda pior pode ocorrer, além de uma pseudo incorporação. Assunto este tratado em nossos próximos estudos. Por hora, ficamos por aqui, visto já possuirmos um bom material de reflexão: a importância do aprendizado para o médium (a fim de se evitar por ignorância ou vaidade uma pseudo manifestação) e a necessidade de uma retidão moral, garantia de uma perfeita sintonia com as esferas superiores.

                     Até a próxima, muito Aché.

 

 

 

(1) Rachid,  Jamil. A força mágica da mediunidade na Umbanda.

            Empresa jornalística Aruanda Ltda, 2ª Edição. p.25. 19985.

(2) Rachid  Jamil. A força mágica da mediunidade na Umbanda.

           Empresa jornalística Aruanda Ltda,  2ª Edição, p. 25.1985.